Apple Watch Ultra 3: vale a pena vindo do Ultra 2?
Eu tive o Apple Watch Ultra 1 e o Ultra 2 no pulso, no dia a dia — e ainda tenho o Ultra 1. Então esse não é o review de quem pegou o relógio na loja faz dois dias.
E a diferença que eu mais senti no Ultra 3 não foi a tela nem o chip: foi chegar no fim do dia com 70% de bateria, quando antes eu já estava na metade. Se você vem do Ultra 1, a troca compensa. Se você tem o Ultra 2, provavelmente não — e eu explico exatamente por quê.
Prefere ler? Segue abaixo o que muda na prática, o que é só número de ficha técnica que ninguém nota, e para quem essa troca faz sentido.

Um detalhe honesto antes de começar
Eu escolhi o modelo preto desta vez, e ele fica muito bonito no braço — mais sóbrio, muda a pegada do relógio. Mas para ninguém me corrigir nos comentários: o preto não é exclusividade do Ultra 3. O Ultra 2 já tinha. A diferença é que agora eu escolhi essa cor.
No formato, tamanho, espessura e peso ele é praticamente idêntico ao Ultra 2. Quem trocar não vai sentir diferença nenhuma na mão — e todas as pulseiras antigas continuam servindo, com o mesmo sistema de troca rápida.
A tela parece maior — e não é impressão
A primeira coisa que eu senti ao colocar no pulso foi que a tela parecia maior. Fui atrás do motivo e não era impressão: a Apple reduziu as bordas em 24%, e com isso o Ultra 3 tem a maior tela já colocada num Apple Watch.
Em número: o Ultra 2 tinha 1.185 mm² de área de tela; o Ultra 3 sobe para 1.245 mm². A resolução também cresceu um pouco. Na prática, o relógio é do mesmo tamanho físico, mas a tela é muito melhor aproveitada — todos os números e detalhes ficam maiores. É a sensação de estar maior sem ter ficado maior.

Debaixo do capô, a tela passou a usar LTPO3 com OLED de ângulo de visão mais amplo — fica mais fácil de ler quando você olha de lado, dirigindo ou correndo. O brilho máximo continua nos 3.000 nits: essa foi a evolução do Ultra 1 para o 2, e do 2 para o 3 ficou igual.
E tem um detalhe pequeno que faz diferença: a tela sempre ativa agora atualiza uma vez por segundo, contra uma vez por minuto antes. Se você usa um mostrador com ponteiro de segundos, dá para ver o ponteiro andando sem levantar o punho. Bobagem? Talvez. Mas faz o relógio parecer muito mais vivo.

Ele está mais rápido — e também não é impressão
Os aplicativos abrem mais rápido, os botões respondem na hora, a navegação pelo menu está bem mais fluida. O motivo é a troca do chip S9 — que vinha desde 2023 — pelo novo S10.
Na ficha técnica parece uma mudança discreta. No uso diário é aquela sensação de tudo responder mais redondo. Sendo justo: não é uma revolução que vai te fazer largar o Ultra 2 e correr para o 3. Mas lado a lado a diferença aparece.
A bateria: o que eu mais senti no dia a dia
De tudo que mudou, a bateria foi a diferença mais concreta. Quando eu usava o Ultra 1 e o Ultra 2, eu terminava o dia já com menos da metade da carga. Com o Ultra 3, não é raro eu chegar ao fim do dia ainda com 70%.

No número oficial, o Ultra 2 entregava até 36 horas de uso normal e o Ultra 3 sobe para 42 horas. No modo de pouca energia, os dois chegam às mesmas 72 horas.
A recarga também ficou mais rápida: o Ultra 2 ia de 0 a 80% em cerca de uma hora, o Ultra 3 faz isso em 45 minutos. E com cinco minutos na tomada já dá para garantir umas 8 horas de monitoramento de sono — para quem esquece de carregar, isso salva.
Satélite e 5G: novidades reais, com ressalva
O Ultra 3 estreia conectividade via satélite, algo que o Ultra 2 não tem. Na prática: em lugar sem sinal nenhum — nem 5G, nem Wi-Fi — você consegue mandar mensagem, compartilhar localização e acionar o SOS de emergência. Para quem usa o relógio em aventura de verdade, pode ser divisor de águas. (Definitivamente não é o meu caso.)
A ressalva importante: o recurso de satélite ainda não chegou ao Brasil. Então não compre por causa dele esperando usar amanhã, porque não vai rolar.
Os modelos com celular também estreiam o 5G — o Ultra 2 só tinha 4G. Honestamente, eu mal uso o LTE no relógio, mas vale registrar.
Saúde: o que é novo e o que eu realmente testei
A estrela nova é a notificação de hipertensão: o relógio passa a avisar sobre sinais de pressão alta crônica ao longo do tempo. Também chegou o Sleep Score, uma nota para a qualidade do sono.
Não vou mentir: eu não testei o Sleep Score. Não durmo com o relógio — ele é grande e pesado demais para isso, pelo menos para mim. O recurso está lá, mas eu não posso falar sobre ele.
O que eu testei foi a precisão das medições de exercício. Eu uso uma Whoop, que é um monitor dedicado — não tem tela, não faz mais nada além de medir, e por isso deveria ser bem preciso. Comparei os resultados das duas em várias sessões, e eles batem muito bem. Os números costumam ficar bem próximos um do outro. Para quem quer usar o Apple Watch para aferir exercício, esse é um ponto forte: o dado é confiável.

Outro detalhe honesto: esses recursos vieram junto com o watchOS 26. Ou seja, parte deles também chega ao Ultra 2 por atualização — não é exclusividade do Ultra 3, ele só já veio com tudo de fábrica. O resto do pacote de saúde é igual nos dois: ECG, SpO2, notificação de apneia, temperatura do pulso à noite e detecção de queda.
Ultra 2 × Ultra 3: o que muda de fato
| Ultra 2 | Ultra 3 | |
|---|---|---|
| Área de tela | 1.185 mm² | 1.245 mm² |
| Bordas | — | 24% mais finas |
| Tela sempre ativa | Atualiza 1×/minuto | Atualiza 1×/segundo |
| Chip | S9 | S10 |
| Brilho máximo | 3.000 nits | 3.000 nits |
| Bateria (uso normal) | até 36 h | até 42 h |
| Recarga 0–80% | ~60 min | ~45 min |
| Satélite | Não | Sim (indisponível no Brasil) |
| Rede celular | 4G | 5G |
| Tamanho e peso | Praticamente idênticos — as pulseiras são compatíveis | |
Quer todos os números — dimensões, sensores, resolução exata, resistência à água, temperatura de operação? Reuni tudo em uma tabela só na ficha técnica completa do Apple Watch Ultra 3, junto com as medições que fizemos no uso real.
E agora que o Ultra 4 chegou?
A Apple anunciou o Apple Watch Ultra 4 em setembro de 2026. Eu ainda não testei — e não vou dar palpite sobre um relógio que não passou pelo meu pulso.
O que dá para dizer, com o Ultra 3 no pulso há meses, é isto: tudo que está escrito acima continua valendo. A bateria, a tela e a velocidade são as mesmas que eu descrevi, e o Ultra 3 segue sendo um relógio completo.
E tem um efeito colateral que joga a seu favor: quando sai geração nova, a anterior cai de preço. Se você estava de olho no Ultra 3, esse costuma ser o melhor momento do ano para comprar — tanto novo em promoção quanto seminovo de quem está migrando.
Na prática, ano após ano, as melhorias no Apple Watch Ultra são incrementais – nada muda o jogo de fato. Por conta disso, talvez comprar o Ultra 3 ao invés do Ultra 4 pode ser uma decisão acertada.
Prós e contras
A favor
- Bateria que realmente dura — terminar o dia com 70% muda a relação com o relógio
- Recarga de 0 a 80% em 45 minutos
- Tela maior sem o relógio ficar maior
- Tela sempre ativa atualizando a cada segundo
- Navegação visivelmente mais fluida com o chip S10
- Medição de exercício confiável — bate com um monitor dedicado
- Pulseiras antigas continuam servindo
Contra
- Satélite não funciona no Brasil — não compre por causa dele
- Brilho máximo não evoluiu: seguem os mesmos 3.000 nits
- Parte das novidades de software chega ao Ultra 2 por atualização
- Grande e pesado demais para dormir com ele no pulso
- Vindo do Ultra 2, é evolução e não revolução
- Preço de tabela alto para o ganho sobre a geração anterior
Vale a pena? Depende de onde você está vindo
Se você tem o Ultra 1 — sim, faz sentido
Eu tive o Ultra 1 e ainda tenho. A diferença é bastante perceptível: o conjunto de tela é melhor, a velocidade é melhor, a bateria é um salto grande. O satélite entra como bônus que não muda muita coisa por aqui. Nesse caso a troca compensa.
Se você tem o Ultra 2 — provavelmente não
As melhorias existem: tela maior, chip mais rápido, recarga mais rápida. Mas é evolução, não revolução. A menos que você encontre um preço bom de venda no seu Ultra 2 e um preço bom de compra no Ultra 3, o seu relógio atual ainda dá conta do recado tranquilamente.
Se é o seu primeiro Ultra — é uma boa hora
É uma versão completa da linha, e a bateria sozinha já justifica escolher o 3 em vez de procurar um Ultra 2 usado, se a diferença de preço não for grande. Com o Ultra 4 recém-lançado, a chance de achar o 3 em conta é a maior do ano.
Resumindo o que eu de fato senti no uso: a tela parece maior e os detalhes ficaram mais legíveis, o sistema inteiro ficou mais rápido, e a bateria está ótima. Foram essas as três evoluções que apareceram no dia a dia.
Preço e onde comprar
No Brasil o Apple Watch Ultra 3 sai a partir de R$ 10.500 no preço oficial — o mesmo valor que o Ultra 2 custava no lançamento. Lá fora, parte de US$ 799.
Na prática, com promoção e cupom, ele costuma ser encontrado bem abaixo disso — e com o Ultra 4 recém-anunciado, a tendência é o preço cair mais. Os valores mudam o tempo todo, então confira o final na loja antes de fechar.
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Testado e escrito por Leo, que já usou o Apple Watch Ultra 1 e o Ultra 2 no dia a dia. Veja como eu testo os aparelhos.



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